terça-feira, 29 de setembro de 2009


Eu tenho pena da Lua! Tanta pena, coitadinha, Quando tão branca, na rua. A vejo chorar sozinha. As rosas nas alamedas, E os lilases cor da neve, Confidenciam de leve E lembram arfar de sedas Só a triste, coitadinha… Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha … Eu chego então à janela: E fico a olhar para a lua…E fico a chorar com ela! …

Florbela Espanca

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


Quando perco a fé, Fico sem controle E me sinto mal, sem esperança Me sinto só Mas sei que não estou Pois levo você no pensamento Meu medo se vai. Recupero a fé, e sinto que algum dia ainda vou te ver Cedo ou tarde. Cedo ou tarde a gente vai se encontrar,Tenho certeza. Sei que quando canto você pode me escutar.Você me faz querer viver, E o que é nosso, Está guardado em mim e em você E apenas isso basta.

domingo, 20 de setembro de 2009


Hoje a última rosa vermelha morreu. Hoje o anúncio do último suspiro veio como uma pontada em meu peito. Como se um espinho tivesse sobrado no caule, que eu não vi. Talvez tenham sido espinhos que não vi que te machucaram durante tanto tempo, e você tenha usado palavras macias como o veludo das pétalas para dizer que, no fim, quando o amor acaba, um espinho esquecido espeta mais do que a suavidade das pétalas pode curar.

domingo, 13 de setembro de 2009




Não, não foi preciso uma só palavra...
Nem mesmo um olhar, um sinal...
Ha coisas nessa vida que não precisam serem ditas...
Á morte de um amor é quase banal embora triste...
Podemos fingir que não sabemos...
Porém quando a porta se abrir levando o que restou,
nada deve ser dito ou devería ser?
Que se preserve então as lindas lembranças...
Que as lágrimas sejam de saudades de um tempo bom...
Que jamais sejam de dor.......

sábado, 12 de setembro de 2009



Ela abriu a gaveta dos sonhos, tinha prometido a si mesma que hoje não iria fazê-lo mas não conseguiu aguentar, no piso de baixo os vizinhos escutavam uma música demasiado melancólica inundando o seu apartamento. Sentou-se aos pés da cama com a gaveta no colo, escolheu um envelope completamente branco, lá dentro repousava um segredo escrito num papel rasurado, amarelado pelo tempo, as letras quase ilegíveis mas isso não a incomodava, decorara as palavras como se fossem um mapa, um mapa que escondia o regresso a casa.
Leu em voz alta, sempre lia em voz alta, só assim conseguia acreditar nas promessas escritas que nunca se haviam realizado, só assim conseguia abafar o choro com palavras que não traziam o silêncio, traziam recordações de tempos idos. Ela calou-se e a sala chorou, Ela chorou e a sala falou,Ela levantou-se e a sala deitou-se aos seus pés contorcendo-se de dor, uma dor que não lhe pertencia. Sorriu com os olhos rasgados pelo pó que se acumulava em cima dos móveis que não eram dela, eram de ambos mas disso as suas mãos não se queriam recordar. Pousou a mão no ombro do deserto que a preenchia e olhou a nuca do seu melhor amigo, o desespero, encarou-o de frente quando abriu a porta da sacada, olhou o céu carregado de nuvens negras que choravam em uníssono ao som da música dos vizinhos. o seu corpo já morto, pelo amor em excesso, rasgou o vento ao meio e embateu depois contra a entrada do prédio onde ambos tinham entrado de mãos dadas e por onde ela o viu sair carregado de malas.

por: mar

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cantarei o teu choro e cobrirei a cabeça com teu pranto. E sua lágrima será o véu que impedirá meus olhos de ver-te partindo. Da boca de fel palavras irão rolar que ao cortarem verterá o sangue pelas veias expostas. Insípido, seu pensamento ficará entre pedras sua imagem será sal e sua lembrança será mel.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E foi repentina a tua saída de minha vida. Mal nos olhamos, pouco nos falamos. O tempo passou lento dispersando o vento. Faltou coragem, faltaram as palavras que presas na garganta ainda me sufocam. Triste partida sem adeus. No rosto a amargura estampada. Nos olhos lágrimas chegando. Mãos vazias esperando um toque, braços querendo abraços...Assim me encontro, nesta tristeza que se estende pela madrugada silenciosa e fria. Volte, meu amor Sem tua presença não sei viver.
Porque te amo ainda...